Observávamos aquele casal bonito e estranho.
Era um Menino Peixe e uma Moça Borboleta Ancorada.
Pobre Moça.... com asas tão bonitas e saudávaies não conseguia
voar, pois tinha os pés presos ao chão.
Formavam um belo par não fosse o peso que a Moça carregava nos pés.
Sofria!
De longe víamos seu olhar duvidoso, inseguro e apaixonado que
avistava o Menino Peixe.
O Menino só na maré mansa ... levando a vida no bico...
e a Moça na lábia.
Era um bom Peixe, era do bem... mas
plantava sonhos na pobre cabeça da Borboleta.... que nem se quer voava.
Não chegava a ser tubarão, era um peixe pequeno e medíocre,
mas a Moça insistia em enaltecê-lo.
Eu e meu surreal marido olhávamos a cena da janela
de uma casa muito engraçada,
que não tinha teto, não tinha nada.
E ali ríamos dos desencontros de peixes e borboletas.
Aquela casa que não tinha nada foi o motivo de nossa união,
eu cuidava da comida, ele dos cabelos.
Tudo ali, naquela casa muito engraçada,
sem teto, sem nada...
mas onde, pessoas felizes, brincavam marchinhas de carnaval.