quarta-feira, 11 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Mares


Ela num mar, ele no outro
Ele andando em cima das ondas
Ela olhando na linha do horizonte
Olhando e sonhando de olhos abertos
com o dia do retorno-tentativa.

Eram velhos conhecidos
trocavam sonhos, esperanças e saudades.
Ouviam o doce e ancioso cantar de um futuro encontro.
Acreditavam num solucionar da morte e numa possível vida latente saindo
pela janela de seus barcos que velejavam em mares tão diferentes.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Antes do mundo cair


No balanço Final de mais um ciclo
surge no finzinho do segundo tempo
aos 45 min. uma esperança:

"uma menssagem"

e ...

"é dela"

A gente aqui esperando essa tal Senhora Felicidade
roendo unha
bebendo lama
derramando o leite
pisando o pão...
e vendo o trem passar...

Não tinha vaga, "entre no próximo"

e é um tal de:

"o próximo"

"o próximo"

"o próximo"

que na verdade a única coisa
que se aproxima é o fim.

Mas... como nem tudo é martírio...
mesmo a poesia de dor
tem sua beleza
mesmo o drama
tem seu momento feliz
mesmo a solidão
tem espasmos de encontros.

Confesso que algo muito filosófico acontece em mim
quando penso na possibilidade
de estar ao seu lado.




Pára tudo!


Poesia de muito, é pouca!

... não tinha teto, não tinha nada

Observávamos aquele casal bonito e estranho.

Era um Menino Peixe e uma Moça Borboleta Ancorada.

Pobre Moça.... com asas tão bonitas e saudávaies não conseguia
voar, pois tinha os pés presos ao chão.

Formavam um belo par não fosse o peso que a Moça carregava nos pés.
Sofria!

De longe víamos seu olhar duvidoso, inseguro e apaixonado que
avistava o Menino Peixe.

O Menino só na maré mansa ... levando a vida no bico...
e a Moça na lábia.

Era um bom Peixe, era do bem... mas
plantava sonhos na pobre cabeça da Borboleta.... que nem se quer voava.

Não chegava a ser tubarão, era um peixe pequeno e medíocre,
mas a Moça insistia em enaltecê-lo.

Eu e meu surreal marido olhávamos a cena da janela
de uma casa muito engraçada,
que não tinha teto, não tinha nada.

E ali ríamos dos desencontros de peixes e borboletas.

Aquela casa que não tinha nada foi o motivo de nossa união,
eu cuidava da comida, ele dos cabelos.

Tudo ali, naquela casa muito engraçada,
sem teto, sem nada...
mas onde, pessoas felizes, brincavam marchinhas de carnaval.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Espasmos de Loucura




Uma Leila
Uma Marilyn
Uma Diva

Brotando em mim

Um Grito de Liberdade
Uma manifestação feminista?

Não. Uma enchurrada feminina.

É Vênus nascendo do mar
É Iemanjá me adotando de vez
É o sol na casa 7
A janela sempre fechada. Ela lavava os pratos e aquilo era uma espécie de terapia como um ópio para apagar a sensação de claustrofobia que aqueles buracos enormes na parede (tampados com vidro) causavam.
Ela só queria ver a primavera entrar.
O verão já havia chegado doce como canela, mas....
os cabelos dela e das outras continuavam presos.
Não pegava nem as chuvas de verão ...
tinha um pedaço de vida preso naquelas janelas.
Quantos orifícios tampados.
Quantos buracos blindados.
Quanta vida lá fora...
Sonha com o vento que iria soltar seus cabelos
como aquele vento antigo chamado Saulo, agora Zéfiro.
Um amigo que trazia boas vibrações ... e notícias de um sol que descansava numa casa de número 7.

E se quebrasse o vidro?
E se matasse o minotauro?

Não... era como deixar aquela areia no biquíni depois de um dia de praia ou como um gosto amargo na boca ou como brigar com uma das partes de um todo.

Queria apenas ver a primavera entrar soprando suave
cantigas que me lembram
a paz que nunca tive
mas sempre sonhei
ou as flores na janela
que ainda abrirei.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Luzes Astrais

No Planeta harmônico solar branco
com macacos auto existentes vermelhos
e cristais cósmicos amarelos
sonhos de olhos abertos
realidades de pura cegueira
materialismos de falta de percepção
o todo desconectado
a moça desfocada
a lente embaçada
o filme lavado
abri o diafragma e vi
luzes astrais
brancos espirituais
cegueira iluminada
foi sua lente
que me captou
num lance de pura
presença
era só um cachorro cósmico branco
brincando no jardim
da mente

sábado, 6 de dezembro de 2008

No jardim, Flores Astrais sob teus pés
quem és?

Deusa-menina ?

Vênus ou Afrodite?
Cólica ou Cistite?

É mania de feminino
mas aparente jeito de menino

Um bom disfarce
O encanto provoca o impasse

Luz da lua esconde a beleza feminina
Mas no fundo alma de menina

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

te amo

te amo

te amo

mesmo sem te conhecer

amo o que sonho

sonho com você

talvez seja loiro

talvez moreno

quem sabe

novo

mas de preferência

solto

entregue

amável

a procura

ao encontro

ao acaso

e no caso

me encontre

pode um caso

comigo ter

mas se por descaso

me esquecer

deixo a casa

e caso

com outro talvez

domingo, 23 de novembro de 2008

seis e vinte

O Relógio da sala sempre marcava 18:20. Ou seria 06:20?
Não se sabe ao certo.
A questão era que naquela casa o tempo parecia não passar.
Entravam e saíam.
Os dois sentávam-se à mesa; às vezes sem conversar; outras trocavam poucas palavras.
Mas algo havia mudado naquela sala.
um quê de vazio e de decepção.
Os outros que foram embora deixavam lacunas difícies de serem preenchidas.
Os dois que ficaram resistiam às goteiras na sala...
ao mofo da parede e ao desgaste mental que aquele relógio na parede imprimia
com suas sempre 18 horas e 20 minutos. Ou seriam 06 horas e 20 minutos?
Essa dúvida eles nunca conseguiram decifrar.
Pois naquela mesa daquela sala se encontravam à luz do dia e da noite...
sem um padrão repetitivo ou linear de tempo.
podiam ser nas madrugadas... esses encontros sem dúvida eram mais felizes... tortos, sorridentes, embaralhados....
Os que seguiam nas manhãs eram embaraçosos... outros ... entediantes ...
mas sempre se encontravam ali.
Naquela mesa , daquela sala com goteira, olhando para aquele relógio parado.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O conto do ônibus


Fazia passeios de ônibus, sempre musicais.
Passeios musicais. No ônibus.

Mesmo quando calava ou dormia ainda queria cantar

Não achava nessas estradas um onde no qual pudesse soltar essa voz e esse movimento
Sentia um vazio provocado pela falta de espontaneidade e ainda queria correr meio mundo

A Mocinha do ônibus
Olhando pela janela enquanto o motorista a guiava em um novo caminho
ficou encantada com as estátuas de um velho e glamuroso cemitério

Que almas seriam estas que se guardavam entre tanta beleza antiga....
Escutava música estrangeira sem entender uma palavra...
Mas cantava sem deixar sair nenhum som

Seu sonho era dançar no metrô

Perhaps?

No ônibus ouvia musica, dançava, cantava, vivia amores, tudo de olhos fechados, sentadinha,
Nos seus sonhos transeuntes .....
Em seus silêncios musicais
Seus silêncios de movimento

Andar naquele veículo era sonhar
dar asas àquelas guitarras pretas da camisa branca

Mocinha sonhadora
“queria um beijo de cinema americano”
e um lugar pra cantar e sorrir
Uma história na qual pudesse ser a heroína

Um final feliz
E um caminho lúdico

No qual as pessoas dançam no meio da rua como em filmes musicais
Onde as pessoas sobem em cima da mesa, num restaurante chique
Onde o cobrador canta uma canção e os passageiros respondem em coro.
A moça do caixa larga seu posto e rodopia pelo supermercado
Os policiais largam suas armas e se beijam
um sonho tipo sessão da tarde

Tudo em movimento
E o povo todo nesse harmônico

Uma felicidade que contagia
Um sonho que grita

A mocinha sonhava.... no automóvel em movimento

Mas ônibus parou. Chegou o seu ponto. O som desligou.
E ela voltou para sua realidade silenciosa e parada.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Todas as cartas de amor...

Fernando Pessoa (Poesias de Álvaro de Campos)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)



Álvaro de Campos, 21/10/1935