segunda-feira, 15 de março de 2010

Poesia Charminho

Cruzada de olhos lânguidos
Lábios entre abertos, pensamento no horizonte
Alcinha caindo do ombro, perfumes sutis descontraídos de primavera
Saia subindo desapercebida
Sorriso encabulado
Pinta em cima da boca carnuda
Brinquinho de princesa refletindo a luz de fim de tarde
que amacia a pele em tons fotográficos, suspiros...
Tarde quente, pezinho de unha vermelha, no chinelo preto com bolinha branca
Debruçada na janela, contornos evidentes
Voz aveludada diz
Frases curtas, metáforas
Picolé de limão, riso no canto
pingo doce que cai no decote de rendinha branca
Calor ...
O vento desordenando os cachos castanhos
A morenice reluzindo gosto de amêndoas e mel
na cortina branca
que brinca de esconde-esconde.

domingo, 14 de março de 2010

Charme Noite

Batom, gloss, música. Drink.
Leve balançar de quadris. Rímel, brilho, olhar fatal entre um gole e um trago.
Salto subindo a escada tonta.
Mostrar de coxas
Pausa. Olhada pra trás. Causando arrepio desfilar no salão.
O chacoalhar das pulseiras compondo com o hit da pista.
Cenas fortes de encontros. Renda.
Balcão, risadas.
Dedilhar de cintura, movimento conjunto.Clima.
Corpete apertado, blush acentuado.
Sobe o sol de domingo.

A Tua Mulher

Eu quero que você me ame assim como estou
Mal acabada
Mal depilada
Unha quebrada
Mas com muito amor.
Me queira como a Gisele Budchen
Me Escute como quem escuta Edith
Me leia como Clarice
Me cante como Vinicius
E por favor me entenda como Freud me entenderia
Me joga na cama e faça versos com essas celulites.
Amanhã posso acordar
Bem amada
Bem comida
E ser a estrela que você quer
Ganhar os prêmios pra tua alegria
Sair nas capas de revista
Quem sabe publicar aquele livro...
Te fazer bem às vistas!
Ser a mulher que você queria.
Pra depois te mostrar que não sou nada disso
Sou assim normal
Sou de carne e osso não sou nenhuma global
Volto a ser gente
Lembro pra tua mente que sou aquela mulher de pé no chão,
Que te ama
Te quer bem
Te dá a mão
Fazer você me amar não pelo o que você quer e sim por como eu sou.
Podemos assim degustar o requinte do amor
E viver em paz.
Eu fazendo cada dia você me querer mais
Não pra te agradar e sim pelo esporte
Adoro ver homens fortes rendidos ao chão
E assim como quem vence uma briga
Ser enfim a mulher da tua vida!

Um Brinde

Te olhei e quis te abraçar

Não sei se por mim, por você...

Abafar os problemas da vida.

Nos perder.

Afinal isso aqui é só estrada, não o fim.

Te dedico então minhas frases ridículas,

Meus verbetes hilários...

Pra ver se dá um UP na vida.

Vamos brindar essa palhaçada!

Beber o último gole de alegria,

Fechar a conta, dar mais um vexame, pedir um táxi, risadas.

Adormecer em acalanto... Virar a página.

Outro dia; sol; praia; mais problemas; mais entradas

E te encontro assim como eu: tomando lapada.

Mais um chopp, isso que chamamos de vida, só pode ser piada!
Borboletinha morreu
Planta pimenta
Cinta liga
Esmalte vermelho
Sombra preta
Rock and Drink
Barulhos da madrugada
Mas lá no cantinho da carteira sementinha de girassol
Sonhos de cavalo branco
Véu e grinalda.
Ainda tinha papel em branco. As linhas disponíveis


A frase poética viciada na caneta que não parava de vomitar palavras inúteis usáveis. Cansadas.

Poesia retornável. Assuntos que andam em círculos e não dizem nada.
A ausência de poesia
Que há em mim
Cala meu cansaço
Coloca minha agonia pra deitar
sssss... silencio na rua
A caneta querendo minhas mãos
Fujo
Papel, me seguro.
Nada pra falar. Calei caneta e dedos na pausa de frases.

4 de novembro estranho

Hoje acordei e senti medo da vida.

Encontrei uma borboleta morta na escada.

Lembrei da camisa branca desbotada, nela haviam guitarras aladas.

Guitarras mudas.

O ensurdecedor cheiro da culpa

E esse gosto de calor abafado.

É estranho ver borboleta morta.

É estranho fazer aniversário quando não se tem certeza de nada.

A vida como uma grande nuvem de erros.

O peso dos anos... as desavenças inúteis.

As palavras incompreendidas.

Doenças que assustam. Compromissos adiados.

O olho abrindo já querendo fechar.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ganhar o pão
Viver de quê?

Se pudesse viveria de luz,
De amor, de música e poesia

Mas na panela fria de quem não tem o que comer
pensar em arte é como se abster
Se retirar da maquinaria que mantém o sistema vivo, e eu digo:

Pára! Que eu quero descer!

O trem passou da estação
Somos todos massa de manipulação
Mas temos que ganhar dinheiro, porra!

Esse lance de subjetividade e reflexão... filme, teatro, música, poema .... não enche barriga não!

Pudesse eu... teria os dias na poesia...
Viveria nas entrelinhas...
Eu sorri pra vida.

Na volta, ela sorriu pra mim.

Acho que voltamos a ser amigas.

Saudades dessa parceria...

Mas ainda não entendo quem vem primeiro...

Se o ovo ou a galinha.

Andando na tempestade, te vi ali tristinha... na chuva...

Te peguei na mão,

Tomamos café, algumas decisões

e planejamos o futuro.

O olhar na esperança nos fez rir de nossa tola confiança

no inexplicável, no acaso, no supremo, em nossa força de pensamento.

Cumplicidade de coleguinhas encharcadas num aguaceiro

Sem estrada,

Na ruas alagadas, da cidade que não pode ver chuva.

E nós rindo, rindo, rindo

Dessa cara de iludida que eu faço,

que ela faz,

sempre que acreditamos que algo vai mudar nossos caminhos.

Descaminhando em conversas ansiosas nos deliciamos ao ver

o Pão enorme, lá no fim da paisagem, se derretendo em Açúcar.

Eu, a vida, a cidade

Trocando figurinhas, enquanto nossos sapatos se enchiam de água.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pequenice

E a vida é tão pequena
E nessa pequenice
Olhei pra uma amiga que partia e disse:
Quem sou eu?
Logo respondi:
Eu sou você, sou Isabela, Bruna , sou Rê
Sou minha mãe, minha vó, toda parentada
Sou comida da minha terra
Farofa requentada
Sou meu sotaque
Meu jeito torto de andar
E nessas despedidas vê-se quão frágil é a vida
Partindo todos os dias de nossas mãos.

domingo, 16 de agosto de 2009

Cartela de Ilusão

E a vida não pode ser só isso,
tem que ter renda, confete, caipirinha
Bebedeira
Não dá só pra pagar aluguel
há que se falar besteira
Rir de si
ver o quão ridículo és
Dá pra olhar a vida por outro viés
Penso que queria ser um caminhante do céu vermelho
Porém me olho e não me vejo no espelho
Macarrão esquentado, conta de telefone, guimba de cigarro.

Os problemas todos anotados...

Mas no meu universo paralelo
Sonho coisas em amarelo, em verde, rosa
Azul turquesa e outras cores que inventei
Com cenas que imagino e imaginei....
Logo acordo
Tanta conta, tanto não
Vivo preocupada pedindo perdão
Por ter falado, por ter ouvido, por ter te tocado
Cruzei um amigo na esquina
Desviei. pode ele ter gripe suína

O mundo ta doente, ta gripado,
Se acabando, catarrento, constipado
Sem contato
Só no endereço conectado

É por isso que eu bebo
É por isso que eu danço
E tento cultivar as borboletas do meu cabelo
E tento esquecer o dia do prazo, o dia do pranto e tento....
Ser só energia
Me solto, me sinto pomba gira

Chama o pessoal
Traz o violão
E na bolsa uma pitada de ilusão, de sonho, de LSD.
uma cartela de entusiasmo
um gole de felicidade
Chuto o balde e percebo que não tenho mais idade
Sorri junto aos universitários
gente feliz mesmo sem salário
E meu emprego é viver ...


Porque a normalidade é algo que irrita
Mas sei que quando só se tem a marmita no meio do expediente
é difícil se considerar gente
Pode ser só bicho ou robô
Porque aquele sonho, a poesia... já passou
É ato codificado, fila, regra, produto enlatado.

Resolvi jogar tudo pro alto e plantar poesia
pra ver o que nascia

Nasceram borboletas no meu descabelado

Esperanças, imagens coloridas
de um mundo fantasiado.

terça-feira, 14 de julho de 2009

De casa pro sol

Saí de casa pra ver o sol
Há muito não o via
Toda desregrada
Vampira
De noite na rua
De dia escondida
Vim versar um pouco
na areia fria

Parecia que havia brigado com o mar
Gelaaaaaado...
Tava nessa de hibernar

Vim meditar com o sol
Encontrei casais invernais. Quentinhos
Abraçados, felizes, engraçadinhos.

Vontade e pânico
Foi o que me deu
Carinho, companhia
Foi o que pareceu
Lembrei de brigas, obsessão
Dormir abraçadinho
Ciúme, incompreensão
Cinema, sushi
“amor, você não me disse que era aqui?!”

Sai tentação
Nasci sozinha
Solitude é convicção
Ou nem tanto
Talvez seja esse pranto de menina sem pai
Querendo ser independente
Tentando esconder os seus ais.

A palavra é intolerância
Disfarçada de arrogância
“Você não quero, você não gosto”
Escondendo um terrível desgosto
De não ter com quem compartilhar
Aquela idéia, boas risadas
Hoje o mar.


Espetáculo sem platéia
Musica sem ouvinte
Poema sem leitor
Procuro alguém pra sanar essa dor.

A dificuldade tá no escolher
Me aparece um monte que
Não quero nem conhecer

Tudo assim querendo trepar
Nem perguntou meu nome
Nem me chamou pra dançar.

Gosto de conversa
Mas quando resolvem...
Já saio logo morrendo de pressa.
Papo bobo, superficial
Ou querem dar uma de intelectual

A questão não é o papo, o cabelo ou a idade
É que não apareceu alguém com afinidade
De corpo, mente e espírito
Todos que chegam já digo e repito
Meu filho não mexe com isso não
To ficando contigo por falta de opção
To procurando... depois me chamam intolerante
Eu só resolvi te dar uma chance
Mesmo já sabendo qual ia ser o final
Sozinha, deprimida, sempre no inferno astral.
Deixa isso quieto, prefiro não complicar
Pega teu rumo
Cê pra lá e eu pra cá
Fugi, saí correndo,
Já soltaram logo o veneno
Essa é a menina
Que faz cara de contente
O cara tenta, se esforça, e ela sai pela tangente.
Difícil segurar!
Já foi de tantos homens,
mas agora quer um par.

Vai continuar vagando de mesa em mesa,
de bar em bar.
Na esquina, no cruzamento, na rua
Eu já vi ela procurando até na lua!

O problema é que não põe o pé no chão
Quer um príncipe encantado
que no 1° dia lhe peça a mão

Pobre garota sonhadora
Quer o cara perfeito
No amor ser ganhadora

Vive em casa perdendo a viagem
Na vida desperdiçando oportunidade
De se misturar
De outras pessoas encontrar

Sonhando com o moço encantado
Um dia vira estrela e o sol seu namorado.